O que você faz durante o dia? Como age e no que pensa? Quais são as coisas que você gosta? E as que não gosta? Com que frequência você lê, escuta música, vê um filme ou uma peça de teatro? O que você sente? Qual é a essência disso tudo? Sentir a magia, deixar a imaginação flutuar por lugares inacreditáveis, sentir arrepios, ter a sensação dos sons, sentir o gosto das cores, estar em completo êxtase. Aqui as coisas acontecem. Ler e acreditar.
domingo, 15 de novembro de 2015
sábado, 31 de outubro de 2015
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
A cada dia
A cada dia
A cada dia um se vai
Um
Mais um
Você se importa?
Ele se importa?
A cada dia um se vai
Um mendigo
Um trabalhador
Uma simples pessoa
Ele se vai
Eles se vão
A cada dia
A cada segundo
Uns dizem que a vida é assim
Mas não
Se ela é assim
Porque não temos as mesmas coisas?
Uma criança que mora nas ruas merece menos que eu?
Mundo injusto,
Morreram de fome e ninguém impediu
Aonde para esse Brasil
Mas não é só aqui
É ai,
É no mundo inteiro
E ninguém impediu?
Aonde já se viu.
Beatriz Oliveira
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Hoje falaremos de Jorge Amado.
Características das Obras de Jorge Amado:
Jorge Amado caracteriza-se pela linguagem simples, lírica e popular.
O escritor trouxe para suas obras fictícias os problemas e a vida de classes menos favorecidas de Salvador. Exemplos: homens do cais do porto, menores abandonados, pais-de-santo, dentre outros. Como romancista, Jorge Amado retratou costumes populares e festas populares.
Seu modo de narrativa caracterizava-se pelo modo com que juntava o lirismo ao documento á critica social. Sua linguagem é caracterizada também pela simplicidade e o uso coloquial e popular das palavras.
Ele conseguia falar sobre a miséria de uma forma quase romântica e grandiosa.
O escritor dramatizava suas obras para que fosse tocante, mostrando a beleza interior presente em lugares onde era chocante só de olhar e também em pessoas completamente injustiçadas.
Obras de Jorge Amado que foram para TV.
Trailer da novela Gabriela, uma das obras de Jorge Amado.
Abertura do filme Tieta do Agreste de Jorge Amado.
Terra do sem-fim também foi uma obra de Jorge Amado que foi levada para a TV.
Aqui está o filme completo de Jorge Amado-Tenda dos Milagres.
Capitães de Areia- Jorge Amado
Além desses, mais obras de Jorge Amado foram levadas para a TV, como:Teresa Batista, Tocaia Grande, Dona Flor e Seus Dois Maridos e Porto dos Milagres. Sendo assim, creio que vocês enxerguem agora a importância que tem esse escritor, vale a pena conhece-lo.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Creed- Don't stop dancing.
Com a letra dessa música conseguimos entender que não devemos desistir nunca, que independente dos tombos, devemos permanecer em pé, sem desistir, sem deixar de tentar, ir em busca do sonho desejado até conseguir, nada é impossível, apenas devemos tentar e tentar até conseguir!
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Livro: Vidas Secas - Graciliano Ramos
"Vidas Secas", romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.
O estilo seco de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão.
Resumo
O livro possui 13 capítulos que, por não terem uma linearidade temporal, podem ser lidos em qualquer ordem. Porém, o primeiro, "Mudança", e o último, "Fuga", devem ser lidos nessa sequência, pois apresentam uma ligação que fecha um ciclo. "Mudança" narra as agruras da família sertaneja na caminhada impiedosa pela aridez da caatinga, enquanto que em "Fuga" os retirantes partem da fazenda para uma nova busca por condições mais favoráveis de vida. Assim, pode-se dizer que a miséria em que as personagens vivem em Vidas Secas representa um ciclo. Quando menos se espera, a situação se agrada e a família é obrigada a se mudar novamente.
Fabiano é um homem rude, típico vaqueiro do sertão nordestino. Sem ter frequentado a escola, não é um homem com o dom das palavras, e chega a ver a si próprio como um animal às vezes. Empregado em uma fazenda, pensa na brutalidade com que seu patrão o trata. Fabiano admira o dom que algumas pessoas possuem com a palavra, mas assim como as palavras e as ideias o seduziam, também cansavam-no.
Sem conseguir se comunicar direito com as pessoas, entra em apuros em um bar com um soldado, que o desafiaram para um jogo de apostas. Irritado por perder o jogo, o soldado provoca Fabiano o insultando de todas as formas. O pobre vaqueiro aguenta tudo calado, pois não conseguia se defender. Até que por fim acaba insultando a mãe do soldado e indo preso. Na cadeia pensa na família, em como acabou naquela situação e acaba perdendo a cabeça, gritando com todos e pensando na família como um peso a carregar.
Sinha Vitória é a esposa de Fabiano. Mulher cheia de fé e muito trabalhadora. Além de cuidar dos filhos e da casa, ajudava o marido em seu trabalho também. Esperta, sabia fazer contas e sempre avisava ao marido sobre os trapaceiros que tentavam tirar vantagem da falta de conhecimento de Fabiano. Sonhava com um futuro melhor para seus filhos e não se conformava com a miséria em que viviam. Seu sonho era ter uma cama de fita de couro para dormir.
Nesse cenário de miséria e sem se darem muita conta do que acontecia a seu redor, viviam os dois meninos. O mais novo via na figura do pai um exemplo. Já o mais velho queria aprender sobre as palavras. Um dia ouviu a palavra "inferno" de alguém e ficou intrigado com seu significado. Perguntou a Sinhá Vitória o que significava, mas recebeu uma resposta vaga. Vai então perguntar a Fabiano, mas esse o ignora. Volta a questionar sua mãe, mas ela fica brava com a insistência e lhe dá um cascudo. Sem ter ninguém que o entenda e sacie sua dúvida, só consegue buscar consolo na cadela Baleia.
Um dia a chuva chega (o "inverno") e ficam todos em casa ouvindo as histórias de Fabiano. Histórias essas que ele nunca tinha vivido, feitos que ele nunca havia realizado. Em meio a suas histórias inventadas, Fabiano pensava se as coisas iriam melhorar dali então. Para o filho mais novo, as sombras projetadas pela fogueira no escuro deixava o pai com um ar grotesco. Já o mais velho ouvia as histórias de Fabiano com muita desconfiança.
O Natal chegou e a família inteira foi à festa da cidade. Fabiano ficou embriagado e se sentia muito valente, só pensando em se vingar do soldado que lhe colocou atrás das grades. Uma hora, cansado de seu próprio teatro, faz de suas roupas um travesseiro e dorme no chão. Sinha Vitória estava cansada de cuidar do marido embriagado e ter que olhar as crianças também. Em um dado momento, ela toma coragem para fazer o que mais estava com vontade: encontra um cantinho e se abaixa para urinar. Satisfeita, acende uma piteira de barro e fica a sonhar com a cama de fitas de couro e um futuro melhor.
No que talvez seja o momento mais famoso do livro, Fabiano vê o estado em que se encontrava Baleia, com pelos caídos e feridas na boca, e achou que ela pudesse estar doente. O vaqueiro resolve, então, sacrificar a cadela. Sinhá Vitória recolhe os filhos, que protestavam contra o sacrifício do pobre animal, mas não havia outra escolha. O primeiro tiro acerta o traseiro de Baleia e a deixa com as patas inutilizadas. A cadela sentia o fim próximo e chega a querer morder Fabiano. Apesar da raiva que sentia de Fabiano, o via como um companheiro de muito tempo. Em meio ao nevoeiro e da visão de uma espécie de paraíso dos cachorros, onde ela poderia caçar preás à vontade, Baleia morre sentindo dor e arrepios.
E assim a vida vai passando para essa família sofredora do sertão nordestino. Até que um dia, com o céu extremamente azul e nenhuma nuvem à vista, vendo os animais em estado de miséria, Fabiano decide que a hora de partir novamente havia chegado. Partiram de madrugada largando tudo como haviam encontrado. A cadela Baleia era uma imagem constante nos pensamentos confusos de Fabiano. Sinhá Vitória tentava puxar conversa com o marido durante a caminhada e os dois seguiam fazendo planos para o futuro e pensando se existiria um destino melhor para seus filhos.
Lista de Personagens
Baleia: cadela que é tratada como membro da família. Pensa, sonha e age como se fosse gente.
Sinhá Vitória: mulher de Fabiano. Mãe de 2 filhos, é batalhadora e inconformada com a miséria em que vivem. É esperta e sabe fazer conta, sempre prevenindo o marido sobre trapaceiros.
Fabiano: vaqueiro rude e sem instrução, não tem a capacidade de se comunicar bem e lamenta viver como um bicho, sem ter frequentado a escola. Ora reconhece-se como um homem e sente orgulho de viver perante às adversidades do nordeste, ora se reconhece como um animal. Sempre a procura de emprego, bebe muito e perde dinheiro no jogo.
Filhos: o mais novo admira a figura do pai vaqueiro, integrado à terra em que vivem. Já o mais velho não tem interesse nessa vida sofrida do sertão e quer descobrir o sentido das palavras, recorrendo mais à mãe.
Patrão: fazendeiro desonesto que explorava seus empregados, contrata Fabiano para trabalhar.
Sobre Graciliano Ramos
Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.
Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana, foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).
Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.
Suas principais obras são: "Caetés" (1933), "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), "Infância" (1945), "Insônia" (1947), "Memórias do Cárcere" (1953) e "Viagem" (1954).
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Tirinhas
Realizou-se em sala de aula com a
professora Adriana de Língua Portuguesa a elaboração e a produção de uma
pequena tira em quadrinho. Inicialmente respondemos a algumas perguntas no
caderno do aluno que nos ajudaram na elaboração e inicialização das tiras.
Planejamos antes da produção o
contexto da história, os personagens, o cenário e o clímax. Primeiramente houve
inúmeras dúvidas e questionamentos, pois fora feito uma tira para cada dupla e
deveria ter uma concordância entre tais. Em seguida fizemos um rascunho que nos
mostraria se era o que realmente desejávamos e se seria necessário que algo
mudasse posteriormente.
A produção final em que onde desenhamos e colocamos
todas as ideias em prática. Desenhamos, escrevemos e pintamos os desenhos para
que ficassem de forma chamativa para nosso público alvo e o resultado final que
foram os demonstrados abaixo:
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Resenha da música Geração Coca-Cola
A música geração coca-cola da banda Legião Urbana retrata um mundo que poucos conseguem enxergar, a verdadeira dependência da nossa nação em relação para com os outros países. Isso fica mas evidente quando o autor da música o cantor e compositor Renato Russo coloca :
“Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês, empurraram-nos com os enlatados dos USA, de nove as seis, desde pequenos nós comemos lixo, comercial industrial”.
Sendo assim compreende-se que fatos sociais são externos ao sujeito e que a inserção do indivíduo em determinada sociedade vai determinar seu comportamento tanto biológico quanto social.
Portanto o processo de socialização Norte americano no Brasil é tremendo, principalmente pelas vias dos meios de comunicação onde boa parcela da sociedade brasileira é influenciada pelas marcas de produtos estrangeiro. Tendo como exemplo: Produtos têxteis como C&A, e outros como a boneca Barbier e o refrigerante (coca-cola) título da música aqui analisada.
Assim sem perceber acabamos sendo socializados e interiorizando a cultura dos Estados Unidos da América e também reproduzindo a forma de falar de pensar e de agir, deste país. Criando assim algumas características que são a Exterioridade - esta característica transmite o fato desses padrões de cultura a serem "exteriores aos indivíduos", ou seja, ao fato de virem do exterior e de serem independentes das suas consciências., coercitividade - característica relacionada com a força dos padrões culturais do grupo que os indivíduos integram. Estes padrões culturais são fortes de tal maneira que obrigam os indivíduos a cumpri-los. Generalidade - os fatos sociais existem não para um indivíduo específico, mas para a coletividade.
A música também tenta mostra apatia do jovem socializado com cultura do consumismo, fruto do sistema capitalista.
“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião somos o futuro da nação, geração coca-cola”
Tentando evidência um jovem apático e despolitizando, ”sem religião” sem objetivo sem se preocupar com as principais demandas do Brasil como educação, segurança, distribuição de renda, moradia e etc.
Vai frisar a importância da escola como um dos principais formadores de opinião e acomodação, pois se esta a “escola está inserida no sistema capitalista, então esta serve a este sistema ou seja para manter o status quo, na visão da banda.
“Depois de 20 anos na escola não é difícil de aprender, todas as manhãs do seu jogo sujo”.
Depois o compositor vai dizer: “Não é assim que tem que ser vamos fazer nosso dever de casa e aí então vocês vão ver, suas crianças derrubando reis, fazer comedi com as suas leis.
No sentido que mesmo de forma lenta pode haver mudanças na sociedade, com um processo de descobertas de novos saberes e com uma reelaboração do conhecimento.
Por fim ele encerra a música cantando o refrão: “Geração coca-cola, geração coca-cola geração coca-cola, geração coca-cola”.
REFERÊCIAS
BERGER,Peter L. LUCKMAN,Thomas. A construção social da realidade. Petrópolis, Vozes,
1985.
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo, Martin Claret, 2007.
Legião Urbana. Geração Coca-Cola. Compositor: Dado Vila-lobos, Renato Russo.
Resenha do filme Cisne negro
Esta semana decidi contrariar uma antiga decisão minha de não assistir Cisne Negro, pois a maior parte dos comentários classificava o filme, no mínimo, como um terror psicológico, algo que eu preferia evitar neste momento. Mas uma forte intuição bateu e me levou ao cinema justamente para descobrir a história por mim mesma.
Foi com certeza uma das experiências mais malucas, assustadoras e fascinantes da minha vida. É ainda mais difícil narrar minhas impressões sobre o filme que permanecer na cadeira do cinema do início ao fim. Vou começar com as primeiras palavras que me vieram à mente no momento em que saí da sala: perturbador, desesperador, visceral e sublime.
A trama acompanha a montagem de um balé clássico, O Lago dos Cisnes, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, por uma companhia que decide aposentar sua primeira bailarina, Beth, brilhantemente interpretada por Winona Ryder. A partir deste momento iniciam-se os testes para sua substituição. Esta é a oportunidade que Nina, a protagonista da história, uma atuação magistral de Natalie Portman, sempre desejou, e ela dá tudo de si para conquistar a vaga.
No momento em que ela é escolhida para interpretar a Rainha Cisne, a realização de seus sonhos, as pressões exercidas pelo coreógrafo Thomas e por sua mãe possessiva, uma ex-bailarina frustrada, vivida pela atriz Barbara Hershey, levam Nina ao limite de sua psique já perturbada, até atingir o ponto crucial onde todas as fronteiras entre realidade e imaginação, loucura e sanidade, são transpostas.
Talvez um dos elementos mais perturbadores deste filme seja seu ponto de vista, que transporta o público para o interior da mente atormentada e doentia de Nina; esta é a única versão da história, não há outras visões da mesma narrativa. Este ‘detalhe’ tem um impacto profundo sobre a plateia, ou pelo menos teve em mim, pois a partir de um determinado momento não conseguimos mais distinguir o que é real do que é mera alucinação.
Nina é a bailarina que busca a perfeição da técnica; ela é o Cisne Branco ideal, pois representa a inocência, a pureza e a doçura que a personalizam. Por outro lado, ela é radicalmente controlada, disciplinada e reprimida; mas Thomas a escolhe porque sabe que em algum ponto de sua alma está presente o Cisne Negro, símbolo da sexualidade, da sedução e do mal.
Enquanto no Lago dos Cisnes duas irmãs gêmeas disputam o príncipe que traz consigo a libertação de um feitiço que as mantêm cativas nos corpos de dois cisnes, o branco, que traduz a luz de uma, e o negro, que simboliza as sombras que habitam a alma da outra, as mesmas forças se confrontam no interior de Nina, que luta desesperadamente para permitir que sua face sombria se manifeste. A única forma que ela encontra de extravasar seus sentimentos é através da automutilação; quando seu corpo sangra, as emoções jorram de sua alma como se finalmente uma porta fosse aberta.
Ao mesmo tempo, ela entra em conflito com sua mãe, o que intensifica ainda mais seu desgaste psíquico, e passa a projetar seus medos mais primitivos em outra bailarina, Lily, interpretada por Mila Kunis, que se destaca como coadjuvante. Ela não tem uma técnica apurada, mas apresenta a naturalidade e a sensualidade que Nina mais deseja expressar. Quando as duas se aproximam, a mente da protagonista imediatamente a identifica como sua principal rival, na verdade uma personalização de sua sombra.
O que se vê na tela é a essência da arte, um jogo de sedução e fascinação, e cenas que beiram o mais profundo terror psicológico. Esta inusitada combinação provoca um impacto único e inesquecível no público, pois toca as profundezas do inconsciente humano, seus abismos mais sombrios, e prova que a alma humana é tecida por luzes e sombras. A trajetória de Nina atesta que é impossível qualquer possibilidade de crescimento emocional sadio quando esta esfera mental é simplesmente desprezada e reprimida.
O desfecho do filme é ainda mais impactante; ele nos prende, nos paralisa e rouba o nosso fôlego de tal forma que mal podemos respirar, literalmente. A encenação do balé, principalmente a atuação do Cisne Negro, é tão sublime, que nenhuma palavra, por maior que seja sua magia, poderá descrever. É uma daquelas cenas que ficam gravadas para sempre na mente humana. Natalie Portman merece, com certeza, não só o Oscar de melhor atriz, mas todos os prêmios de melhor interpretação de 2010. Por mais difícil e angustiante que seja a experiência de assistir Cisne Negro, é impossível sentir qualquer vestígio de arrependimento quando o filme chega ao fim.
Observação: Anotem o nome do diretor, que, aliás, qualquer cinéfilo irá reconhecer: Darren Aronofsky. É ele o responsável por filmes como O Lutador, de 2008, muito celebrado pela crítica e pelo público; o menos festejado A Fonte da Vida, lançado em 2006; e os trabalhos antigos que lembram mais Cisne Negro: Pi (1998) e Requiem Para Um Sonho (2000).
Prosa Encantada
terça-feira, 7 de abril de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
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